E do coração vem a poesia… a inspiração
que se sente a bater forte, a alma que vibra ao ritmo do Universo… condensada
num poema ou num simples verso ou mesmo numa única palavra… Neste caso a
palavra Mulher com M maiúsculo.
Uma escrita irrepreensível, uma obra
dedicada de e por amor à poesia e à literatura. Uma voz que se ouviu em tempos
idos a nível nacional, voz hoje adormecida na memória colectiva.
Um espírito tão grande como gracioso. Foi
assim desde a sua juventude até ao fim da caminhada.
É isto o que sinto quando leio os
poemas de Natércia Freire.
Natércia
Ribeiro d’Oliveira Freire – nasceu em 28 de Outubro de 1919 em
Benavente e viria a falecer, em 17 de Dezembro de 2004.
Uma mulher que se distingue pela sua
obra a qual convido à (re)descoberta para que a sua voz não se extinga, para
que seja lembrada e conhecida… para que justiça lhe seja feita…
A Câmara
Municipal de Lisboa prestou recentemente homenagem a Natércia Freire,
enaltecendo o seu nome numa artéria da cidade (na freguesia de São Domingos de
Benfica – Rua Natércia Freire).
POEMA
DE AMOR
Teu rosto, no meu rosto,
descansado.
Meu corpo, no teu corpo,
adormecido.
Bater de asas, tão longe,
noutro tempo,
sem relógio nem espaço
proibido.
Oh, que atónitos olhos nos
contemplam,
nos sorriem, nos dizem:
Sossegai!
Românticos amantes, viajantes
eternos,
olham por nós na hora que se
esvai!
Que música de prados e de
fontes!
Que riso de águas vem para nos
levar?
Meu rosto, no teu rosto de
horizontes,
Meu corpo, no teu corpo, a
flutuar.
Bibliografia
«(…) Da AUTORA:
Poesia
Meu Caminho de Luz (1939);
Estátua (1941); Horizonte Fechado (1942);
Rio Infindável (1947); Anel de
Sete Pedras (1952); Poemas (1957);
Poesias Escolhidas (1959);
Liberta em Pedra (1964)
Poemas e Liberta em Pedra
(1967); A Segunda Imagem (1969)
Os Intrusos (1971); Liberdade Solar
(1977); Obra Poética I (1991);
Obra Poética II (1994);
Antologia Poética (2001)
Publicada Postumamente
O Livro de Natércia (2005)
Poesia Completa (2006)
Infância de Que Nasci (2006)
Prosa
A Alma da Velha Casa (1945);
Infância de Que Nasci (1955)
Solidão sobre as Searas (1961);
Jardins de Lisboa (edição da CML em
Português, Francês e Inglês,
s/d); Ser ou não Ser pelo Amor Livre (1975)
Ensaio
Influência do Ultramar na
Poesia (1963)
Organização de Antologias
Ribatejo: Antologia da Terra
Portuguesa (s/d)
Obras Traduzidas
Poèmes Portugais (seleção de
Rio Infindável, Horizonte Fechado e Anel de Sete
Pedras, Bruxelas, tradução e
ilustrações de Bem Genoux, s/d)
Traduções
Rosamond Lehmann – Uma Nota de
Música
Charles Dickens – As Aventuras
de Pickwick
Pirandello – Para Cada Um Sua
Verdade (em colaboração com Maria da
Graça Freire)
Arthur Miller - Do Alto da
Ponte
Philippe Hériat - Apesar de
Tudo!
Anton Tchékov – A Gaivota (a
partir da versão francesa de Elsa Triolet) (…)»
(
bibliografia retirada de: «Toponimia_Lx_Natercia_Freire.pdf»
)
Algumas
obras de Natércia Freire têm vindo a
ser publicadas pela Quasi Editora
que tem feito um trabalho exemplar na divulgação do espólio da poetisa.
Recentemente
(Maio de 2016) surgiu a oportunidade de participar num concurso de poesia (sob
o pseudónimo de Miguel Silvestre): «Prémio
Nacional de Poesia – Natércia Freire» promovido pela Câmara Municipal de Benavente.
É o
resultado deste meu esforço em participar que se apresenta neste blogue criado
de propósito para o efeito e que pode ou não reflectir o pensamento da poetisa.
Os poemas apresentados são da minha autoria e reflectem isso sim aquilo em que
acredito e defendo.
Alguns dos
poemas foram revistos na consistência (acrescidos de versos ou modificados
outros) tendo o texto original sido acrescentado de mais dezasseis novos poemas
finalizando-se desta forma este projecto que havia sido enviado a concurso
incompleto na intenção original que motivou a sua criação.
Bem Hajam
a todos…






